mudança de ventos
de prosa, arte e vida


Sexta-feira, Março 26, 2010


Porque o tempo passou e longo se fez o caminho, este blog aos poucos se reinventa logo ali.
Por tudo de bom que aqui juntos vivemos, o meu imenso obrigada.
Um beijo carinhoso e, é claro, espero vocês por .

Márcia



MM, 00:40#

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Domingo, Fevereiro 14, 2010





Último Regresso


Espreitava o céu azul pela fresta da cortina. Há muito amanhecera. Um dia claro e quente, pensou. O quarto, ainda na penumbra, recendia a flores murchas e a velas. Ou seria incenso? Talvez. Uma quietude morna pairava sobre a casa. E era terça-feira. Último dia de carnaval. Uma estranha e quase silenciosa terça-feira de carnaval.
Sussurrava-se. Alguns cochilavam nas cadeiras. Olhos vermelhos, outros conversavam. À porta da frente, a filha mais velha discutia com o marido. O que não chegava a ser uma novidade. Parecia embriagado. Um cheiro de café e feijão com toucinho escapava da cozinha. Misturava-se ao inevitável odor de suor e álcool, cheiro de ressaca, próprio daqueles dias. As crianças, ainda fantasiadas, riam alto e corriam, sob o olhar de censura dos adultos. Sentia uma estranha lassidão. Um certo torpor. Uma sede.
Então, soaram os clarins. Mais um bloco preparava-se para sair. Logo chegaria ali, pensou. E quando, frente à casa, a orquestra tocou aquele frevo - Último Regresso - não resistiu. Levantou-se e pôs-se a dançar. E cantar. Em plena sala. Como se fosse o seu último carnaval.
Ninguém pareceu perceber. Ninguém se importou. Ninguém sequer a olhou. Exceto, ele. Sentado à beira do terraço. Que sorriu e incontinenti, se juntou à ela. Ao frevo. Ao passo. Na sala de jantar.
E só ele lhe percebeu o sorriso e o suor que brilhava em sua testa quando, findo o desfile, à hora prevista, fecharam-lhe o caixão. Encerrando-lhe, a um tempo e definitivamente, a vida e o carnaval.



Márcia Maia


Este meu conto foi publicado na edição de fevereiro do Suplemento Pernambuco. Vale ler por inteiro.


MM, 17:18#

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Sábado, Janeiro 02, 2010


Feliz ano-todo, meus amigos!





MM, 18:42#

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Segunda-feira, Dezembro 07, 2009


do verbo indizível


difícil foi muito difícil. viver comer beber correr dormir sentir um treco doido no peito tremer temer perder ruir como edifício no meio de um terremoto por ver elise pressentir elise querer ter elise ser elise ouvir für elise fodendo elise perder-me sem fim em elise e depois perceber o desprezo nos olhos de elise por só lhe dizer te quero bem te quero muito muito bem sem conseguir dizer em bom português o que em inglês se diz i love you. e morrer tendo perdido elise por puro pejo de dizer um verbo fútil. hoje morto o tempo todo penso e repenso e relembro e sofro e choro feito estivesse vivo. sem jeito de me redimir digo e redigo sem medo de me repetir: perdi elise por ter sido estúpido pretensioso inconseqüente e tolo ou melhor por ter sido burro muito muito burro como só eu sempre soube ser. ( pior mesmo só ter posto veneno de cupim no omelete como se fosse gergelim...)



Márcia Maia


MM, 18:44#

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Sábado, Outubro 24, 2009


Bricabraque


Uma mesa trôpega, dois tamboretes. Um fogão de duas bocas, a querosene. Um abajur remendado, uma estante improvisada com tijolos e cimento. Alguns livros. Muitos discos. Um velho aparelho de som. O vento soprando cá fora. E gente se amando lá dentro.



Márcia Maia


MM, 20:29#

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Sábado, Setembro 19, 2009


reuters©



'En écoutant la pluie...'


1,65, ele disse. Altura é problema pra você? Não. É só uma questão de escolher sapato, do tamanho do salto, do alto dos seus 1,76, ela respondeu. Um pequeníssimo silêncio se seguiu. Ele às voltas com sua altura real. Ela a pensar que casal estranho formariam. Se bem que em tempos de Carla Bruni e Sarkozy, altura era o de menos. Nua, diante do espelho, ela riu. Então, amanhã às seis? ele perguntou. Amanhã às seis. Quando o amanhã chegou, chovia a cântaros. Às seis, tudo era enxurrada. E ela, que tanto desejara aquele encontro, esquecendo Carla Bruni e Sarkozy, ligou o computador, abriu um vinho e preferiu ficar em casa.




Márcia Maia






MM, 19:25#

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Sexta-feira, Agosto 28, 2009


márcia maia©

manuela e letícia, 13.06.2009


Os dois copinhos


Rosa, Manu, não é nada. É só uma flor. Quase nada. Agora azul, Manu, é tudo. É cor do céu inteirinho. E Letícia abria os braços mostrando a enormidade do azul, enquanto Manuela a olhava fascinada. E trocava o seu copinho rosacordequasenada pelo da irmã, azulcordecéuinteirinho.



Márcia Maia


MM, 16:01#

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Domingo, Agosto 09, 2009

Pelo dia dos pais, com um beijo:





A Visita


Depois de subornar três serafins, todo um batalhão de anjos, dois arcanjos e um membro da alta hierarquia celeste, cujo nome, por razões óbvias, não pode ser revelado, finalmente ultrapassou os portões. Que portões? Do céu, elísio, paraíso, nirvana, como quiserem chamar. Que dá tudo no mesmo.
Estranhou no início a falta de vigilância. A sensação de liberdade, mesmo parcial, foi como um vento novo, uma brisa. Tinha apenas quatro horas. Depois de tantos anos, quatro horas! Mas, trato é trato. E este lhe custara caro.
Voltara para ver os filhos. Crescidos já. Um presente que se dava nesse dia. Dos pais. Encontrou-os reunidos em torno da mesa do jantar. Seis. Os filhos dos seus filhos. Quatorze. Seus netos. E as filhas do filho da sua filha: suas bisnetas, tão pequenas, ainda.
Ouviu conversas e risos. Pouco entendeu. Perscrutou suas faces. Os olhos, as bocas, as rugas. Os fios embranquecidos nos cabelos. Os risos. As vozes. Os gestos. Procurou vislumbrar-lhes a alma. Os traços de dor e alegria. Os medos. Os sonhos.
Depois, concentrou-se nos netos. Buscando em cada um a imagem que tinha de seus pais e mães pequenos, crianças ainda. Como eram quando partira. A contragosto, partira, evidentemente.
Súbito, deu-se conta de que, agora, seus filhos estavam, todos, mais velhos do que ele, o pai. Passara o tempo para eles. E se esgotava o seu. Hora de retornar.
Beijou cada um, filhos, netos e bisneta, sem que o percebessem. Mas, cada um, de repente, sentiu vontade de falar do pai. Que partira há tanto. Do avô. Que não conhecera. Como um lampejo de saudade.
Terminado o jantar, despediram-se rindo e partiram. Ele, inclusive. Antes que para sempre lhe fossem fechados os portões. Do elísio, céu, nirvana, paraíso. O nome que lhe queiram dar.



Márcia Maia


MM, 12:27#

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Sexta-feira, Junho 05, 2009


márcia maia©



Entre bares e bem-te-vis


O apartamento não é meu. Não no papel, como se diz. E ao mesmo tempo, é meu por inteiro. Numa esquina movimentada da zona norte da cidade, quase uma ilha cercada de bares, clínicas, salões de beleza, docerias e uma solitária casa lotérica. E ainda sim, uma ilha. De amanheceres azuis e silenciosos. Onde o bem-te-vi canta sempre às cinco e quinze. E o vinvim, logo depois. Antes de os carros começarem a passar. O sol ilumina-o todo o dia e a lua, sem cerimônia, banha varanda, sala, quartos, camas. Tudo por conta das janelas vidro e madeira que se debruçam sobre o jardim e a rua, em toda a extensão de cada cômodo. Coisa (maravilhosa) de mil novecentos e antigamente.
O quarto dos filhos é também o do computador e da televisão. E o beliche, onde dormiam, é meu lugar oficial de ver tevê. Séries, filmes, umas poucas entrevistas, tênis e futebol. Adoro futebol.
O quarto da filha virou quarto de brincar das netas. Casinha da Mônica, estante de jogos e livros, gavetas com papéis, lápis e tintas. Além da mesinha cor-de-rosa, das duas cadeirinhas fixas e mais duas de balanço. Também cor de rosa, como convem a princesinhas.
O corredor é a minha biblioteca de poesia. Duas estantes exclusivas. As estantes da prosa moram no quarto das netas.
Saio para trabalhar cedinho e deixo a cama arrumada. Como na mesa da cozinha, devidamente posta. Não abro mão. Nada de comer em pé ou andando. E isto vale para as três refeições. O telefone tem bina. Só atendo quem quero. O que significa, os amigos. E adeus vendedores de plantão! O som é muito mais usado que a tevê. Como agora quando Rosemary Clooney canta Stormy Weather, combinando à perfeição com a chuva que me obriga a fechar as janelas.
O silêncio foge nas noites de jogo, quando os bares se enchem e os ânimos se inflamam. E no carnaval, ao passarem os blocos. São os sons das paixões e da vida.
Em pleno segundo andar, as copas das árvores, dos dois lados da rua, simulam alegremente uma floresta tropical. Vez por outra um beija-flor voeja sala ou quarto adentro. Um morcego enorme desenha o anoitecer em vôos rente à janela. Sob o sofá, mora uma lagartixa.
E eu vivo entre o aconchego e a correria do trabalho. Muito cansada, às vezes. Com pouca grana. Mas sem ter do que, de verdade, reclamar.



Márcia Maia


MM, 18:19#

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Sábado, Maio 09, 2009


márcia maia©

leticia, 4 anos e 8 meses, abril.09


Astronauta, não!


— Você vai ser o que quando crescer, Letícia?
— "Asquiteta".
— Oi, e você não queria ser engenheira ou médica?
— Também. Mas eu ainda não resolvi, vovó. Só não quero ser astronauta.
— Por que?
— Pra não ser engolida por um buraco negro.
— Buraco negro?!
— É. Ele engole tudo. Engole até as estrelas. Sabia não?



Márcia Maia


MM, 18:03#

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Sexta-feira, Maio 01, 2009


Fim de noite


Não, eu disse. Não é de ciúmes que falo. Tampouco de medo. Mas do tempo. Da tua imagem que aos poucos vai em mim se esgarçando à luz inconstante das estrelas. E do vazio crescente que ocupa, paulatina e progressivamente, o seu lugar. O dia amanhecia. O bar fechava. E ele, que mais uma vez, mudo, me olhava fingindo nada entender, disse apenas: bobagem, deixe disso. E me beijou — fundo — até de mim, eu me esquecer.



Márcia Maia


MM, 19:56#

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Sábado, Abril 25, 2009





25 de abril de 1974


A noite que há tanto se estendia, súbito, à beira Tejo, se foi dissipando. Há tanto emudecidas, as gentes se surpreendiam cantando. Primeiro manso, e então, a plenos pulmões. E da terra e das mãos de cada um, brotaram os cravos. Rubros cravos. Em toda a parte floriu a terra morta. Em toda a parte fez-se nova e eterna a primavera. E a Liberdade abriu seus braços sobre a terra, sobre o Tejo. E, por toda a Terra, fez ouvir a sua voz. E de longe, sobre o mar, nos acenava nos dizendo: é possível. E de longe, sobre o mar, todos nós, também cantávamos, também sorríamos. E sonhávamos com o dia em que os cravos — todos rubros — finalmente brotariam entre nós.



Márcia Maia


para todos nós, portugueses e brasileiros, que vivemos aquele dia, na certeza de que os cravos florirão sempre e que a noite e o medo, jamais retornarão. a vocês, meus amigos mais-que-queridos, do outro lado do mar, meu maior beijo. e meu carinho. sempre.


MM, 13:53#

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Sábado, Abril 04, 2009


A Carta


Agora que é de tarde e já é tarde para arrependimentos, pergunto-me em silêncio: quanto de mim se foi naquela tarde? Ônibus lotado, seis e meia, quase noite. Sem lua.
Onde estaria se tivesse cedido, largado casa e filhos e a mãe já velha, doente?
A mãe disse pra eu ir, é verdade. Que amor não se encontra de novo se deixa-se partir. Que amor corre sempre pra frente, como rio. E perde-se na vida.
Mas fiquei.
E agora, esta carta. Tanto tempo depois.
Caminho até a praça de onde partem os ônibus. (Pra mim, eles sempre partiram.) E dali ao cais, beira de mar bravio.
Novamente é tarde, seis e meia, quase noite. Sem lua. Azul denso. Maresia.
E ao surgir a primeira estrela, pequenina e minha, como tu dizias, deixo que a carta caia entre as ondas nas águas da noite-mar.
Sem abri-la.



Márcia Maia


MM, 01:03#

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Terça-feira, Fevereiro 24, 2009





De gâlinha!


Tá fantasiado de quê, Tiquinho?, perguntavam, rindo, o palhacinho e a ciganinha. De gâlinha!, respondia o indiozinho, que vira já muitas galinhas nos seus dois anos de vida, mas nenhum índio. E riam os três irmãos, felizes, sob o sol de Olinda, na manhã do seu primeiro carnaval. A vida ria com eles, cheia de promessas de alegria. Como decerto ri, a cada ano, ao ouvi-los, juntos, nas mesmas ladeiras, repetirem, em uníssono, pergunta e resposta, rindo a valer da brincadeira.



Márcia Maia






Para Tiago, Felipe e Maria, indiozinho, palhacinho e ciganinha. E para as princesas-borboletas, Letícia e Manuela, filhotas do palhacinho, uma no quinto e a outra no primeiro carnaval. No Eu Acho é Pouquinho, claro! Com todo o meu amor.


MM, 19:32#

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Sábado, Fevereiro 14, 2009


Paisagem na janela


Tenha paciência comigo, ele disse, pouco antes de adormecer no sofá, embriagado demais para o amor. E ela, que o amava mas não tinha o menor saco pra conversa de bêbado, tirou a roupa e estirou-se nua no ladrilho da varanda. Chovia fino. Uma nuvem escondera a lua. Deixou que a mão descesse até a vulva, abrindo os lábios e tocando o grelo, leve e ritmadamente. Masturbou-se longamente, mudando o ritmo, prolongando o prazer, adiando o gozo. E adormeceu sem perceber os dois adolescentes quase imberbes que, na janela do vizinho, a observavam, masturbando-se e gozando, repetidamente, com furor.



Márcia Maia


MM, 18:37#

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Domingo, Janeiro 25, 2009


magritte©



Meteorologia


: e embora tenha o dia, finalmente, amanhecido azul, uma nuvem se lhe persistia, pesada e cinza, sob as pálpebras, por trás dos olhos, deixando janeiro escuro e frio, com cara de junho, mesmo havendo retornado, lá fora, o verão.



Márcia Maia


MM, 18:48#

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Domingo, Janeiro 04, 2009


Como um dia de sol


Quando o telefone tocou, pensei que fosse novamente a voz querendo saber se era da casa de Aparício. Não era. Era ele. Desculpe, mas não aguentei a saudade, disse. Precisava, ao menos, ouvir sua voz. E eu muda, feito uma porta, do outro lado.
Fazia pouco mais de um mês que havíamos combinado nos separar. Depois de dois longos anos de idas e vindas. De tardes tórridas e noites solitárias. De encantamento e riso. De desencontro e medo. Tinha sido uma decisão pensada e doída, por trás das faces calmas, e do sorriso quase falso, esbanjando sensatez. Sem dramas. Sem ardentes despedidas. Sem lágrimas.
Eu retomara meu dia-a-dia, tentando reorganizar a vida de uma nova perspectiva. Ou melhor, de uma perspectiva anterior ao conhecê-lo. No início tinha sido duro. Muito duro. As lágrimas não derramadas à hora da despedida, jorraram em silêncio, nas duas ou três primeiras noites. Depois, foram secando paulatinamente. Afinal, fora melhor se separar assim, de comum acordo, numa boa, antes que vida nos roubasse a alegria, o bem-querer. Estava bem, agora. Alguma saudade, muita lembrança, uma sensação gostosa de amor vivido.
Alô, você ainda está aí? dizia a voz no telefone. Estou sim, respondi, a voz trêmula. Tem sido difícil, muito difícil, ficar sem lhe ver, sem lhe falar. Não pensei que me fosse doer tanto, acrescentou, deixando-me mais emudecida ainda. O telefone tremia em minha mão, meus olhos se enchiam de água, o coração batia agalopado. Eu sei, também não tem sido fácil pra mim, finalmente consegui dizer. E rimos, os dois, sem ter porquê. Talvez para evitar o clima de melodrama. Você viaja quando? perguntei. Daqui a umas duas semanas. Sem data certa, ainda. Aviso quando souber. Certo, disse eu, a voz novamente firme. Olha, sei que a gente tinha combinado não se ver, mas sinto muito a sua falta. Quer voltar atrás?
Não, pensei, eu não queria. Não naquele momento. Não daquele jeito sobressaltado e antigo. Não agora quando começava a me reencontrar.
Não sei, respondi. Não sei. É muito cedo pra pensar nisso. Desculpe. E um silêncio de séculos se fez do outro lado da linha. Eu sei, você tem razão, me deixei levar pela saudade. Deixe-me dizer só mais uma coisa, pediu. Eu te amo. Te amo muito, acredite. Eu sei. Acredito. Também amo muito você, falei. E desligamos.
Na tarde, subitamente suspensa e azul, fez-se um silêncio de picos nevados. Rompido, apenas, pela voz de Edu cantando, na vitrola, os versos de Vinícius: " e essa beleza do amor, que foi tão nosso e me deixa tão só, eu não quero perder, não quero enganar, não devo trair, porque tu foste pra mim, meu amor, como um dia de sol."




Márcia Maia


MM, 10:19#

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Quinta-feira, Janeiro 01, 2009


Feliz ano todo, meus amigos!



And, please, stand by me. ;))


MM, 02:26#

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Sábado, Dezembro 27, 2008



Clarice


Toda uma vida e apenas três palavras. Dissera acácia, ao adolescer e apaixonar-se por um Artur que tantos criam imaginário. E então, antúrio, ao ser por ele brutalmente violada. Anos depois, disse nenúfar. Três dias antes de afogar-se onde nunca houvera água.



Márcia Maia


MM, 08:46#

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Domingo, Dezembro 21, 2008


Uma noite feliz


Sentada à mesa da cozinha, ela pensava. Precisava preparar o peru para a ceia. Estariam todos à sua espera ( e a dele, o peru ), logo mais. Mas havia o cansaço. E uma imensa vontade de ficar. Abriu a garrafa de espumante italiano, há meses na geladeira. Bebeu devagar. Tomou um banho. E adormeceu na rede da varanda. Só e feliz. Na noite de natal.



Márcia Maia


Para todos vocês, meus amigos queridos, estejam onde estiverem, o melhor dos natais. E meu beijo.


MM, 21:09#

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